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EM DIA

Notas sobre Educação

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Didática
Mais importante que copiar e decorar é compreender


Um estudo do Instituto de Estatística da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), feito entre 2005 e 2007 em escolas primárias de 11 países da América Latina, da Ásia e da África, revela que o Brasil é um dos líderes na utilização de métodos mecânicos. Conheça os números e a opinião de Lino de Macedo, da Universidade de São Paulo.

91,6 % copiam conteúdo do quadro-negro*
"Copiar só tem sentido se o aluno participou da elaboração do material. Se a cópia for imposta pelo professor, é comum faltarem trechos."

64,2% recitam tabelas e fórmulas*
"Fórmula é ponto de chegada, não de partida. É preciso conhecer sua composição e como ela funciona para enxergar o valor agregado."

63,8% das classes repetem sentenças*
"O aluno precisa entender o que está errado em para mim fazer, por exemplo. Mesmo repetindo a sentença correta várias vezes, ele vai continuar falando errado no dia-a-dia."

* Em algumas ou na maioria das lições

Língua Portuguesa
É hora de aprender a nova ortografia


As regras do Acordo Ortográfico entre os países lusófonos já estão estabelecidas, mas, para que entrem em vigor, ainda é preciso que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assine um decreto. A proposta da Comissão de Língua Portuguesa, do Ministério da Educação, é que as mudanças passem a valer a partir de 1º de janeiro de 2009. No caso dos livros didáticos, a transição ocorrerá em fases. A partir de 2010, os alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental vão recebê-los de acordo com a nova norma. Para as turmas do segundo ciclo e do Ensino Médio, a troca será feita entre 2011 e 2012. Por ora, é importante conhecer as alterações. NOVA ESCOLA e as editoras Ática e Scipione se anteciparam e prepararam o Manual da Nova Ortografia, uma publicação inédita no Brasil, à venda a partir de 4 de agosto, nas bancas, por apenas 1,95 real.

4 perguntas 
Salomão Hage 

Foto: Marcos Santos

Em dia


O coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação do Campo na Amazônia fala sobre a situação do ensino na zona rural.

É melhor investir em escolas no campo ou em transporte para levar os alunos até áreas urbanas?
Não devemos abrir mão das escolas no campo. Todos têm direito de estudar perto de casa e, além do mais, essas escolas são determinantes para o desenvolvimento das comunidades locais.

Como melhorar a realidade da Educação no campo?
Formando professores e adequando o calendário para reduzir a evasão. E não fazer da escola urbana a referência.

Por que não?
São realidades diferentes. Não acho mais relevante ter classes seriadas do que trabalhar para garantir acesso até o Ensino Superior no campo.

Mas a escola urbana é referência e muitos viajam às cidades todos os dias para estudar. Isso é ruim?
Sim. Um dos males é o inchaço das instituições urbanas. No Pará, 75% das escolas de Educação Básica estão situa das no campo e só respondem por 33% das matrículas, enquanto 25% das instituições ficam nas cidades e atendem todo o restante.

A foto do mês 

Foto: Beatriz Vichessi

Em dia

Reinaldo Seluniaki é um dos 50 carteiros voluntários do programa Paraná Alfabetizado, que encaminha jovens e adultos para a escola. Logo depois do treinamento, conversou com alunos em potencial, como Rosa França, 67 anos, moradora do Bairro Alto, em Curitiba. Ao entregar uma carta registrada e pedir que ela assinasse o recibo, percebeu que ela não sabia ler nem escrever. "Sei só fazer meu nome, mas quero aprender mais. Se tiver chance, volto a estudar", comemora Rosa.

Gestão
Excesso de transferências atrapalha a relação aluno-professor e é alvo de decreto em São Paulo
Com o propósito de estabilizar o quadro docente nas escolas estaduais paulistas diante do grande número de transferências (40% dos professores efetivos mudaram de escola neste ano), o governador José Serra assinou um decreto com regras mais severas. Agora, um professor titular só pode ser substituído por outro titular de uma diretoria de ensino diferente se deixar o cargo por 200 dias. Para os profissionais que entraram na rede após o decreto, as mudanças de escola ficam permitidas após os três primeiros anos de trabalho (e desde que o funcionário não tenha mais de 12 faltas em um ano nem advertência). Para Regina Pacheco, coordenadora especial para Administração Pública e Governo da Escola de Administração de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas, a medida é importante, embora tenha sido a causadora da greve da categoria. "Relacionamentos passageiros são impessoais, não permitem observar o aluno. Evitar a volatilidade também ajuda a identificar quem precisa de capacitação", diz ela.

"Não podemos pensar que está bom. Esse é o resultado de uma primeira reorganização."
Maria do Pilar Lacerda e Silva, secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, sobre o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, no jornal O Estado de S. Paulo

Leitura
Para incentivar o hábito, é preciso ser leitor

Num país que tem boa parte da população composta por não-leitores que preferem ver televisão, ouvir música e rádio ou descansar em vez de ler, a tarefa de valorizar e estimular a leitura exige determinação e exemplo dos educadores. Porém, o desempenho deles também é fraco perante as próprias famílias, como aponta a segunda edição da pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil", do Instituto Pró-Livro (confira os números abaixo). "Não me surpreende. Estou trabalhando numa pesquisa com professores de escolas estaduais de São Paulo, e muitos declaram que não gostam de ler", diz Ezequiel da Silva, presidente da Associação de Leitura do Brasil. O cenário indica a necessidade de focar em formação contínua e aprimoramento do currículo. "O professor precisa ler para não ser um agente débil", afirma Silva.

Números inexpressivos

Ilustrações: Cássio Bittencourt

Em dia

Somente 35% dos brasileitos lêem em seu tempo livre

 

Em dia

Nas famílias com professor, o índice sobe para apenas 46%


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