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Planos de aula

Ensino Fundamental I
Geografia Paisagem Local Hábitos Culturais

Seqüência Didática

Os objetos geográficos associados às práticas culturais

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Introdução
Os hábitos culturais das comunidades estão sempre presentes nos espaços que os seres humanos constroem. São duas formas basicamente:Indireta: os hábitos culturais definem, por exemplo, como a natureza será tratada nos espaços urbanos (vide plano de aula ?). Por exemplo: para grupos humanos que acham que remover a vegetação é necessário, que é progresso, o espaço de uma cidade terá uma menor presença da natureza; a força atual da cultura ambientalista consegue alterar esse quadro nos espaços urbanos, transformando a presença da natureza, de mais vegetação, num valor que deve existir nas cidades.

Direta: o próprio espaço das cidades (principalmente) contém elementos que são eles mesmos territórios, objetos geográficos, edifícios marcados por práticas culturais. O que é um museu, ou um cinema? Não são edifícios destinados a práticas culturais? E é essa presença nas paisagens dos objetos da cultura que se pratica habitualmente que será trabalhada nesse plano de aula.  

A vida cultural dos grupos sociais exige locais, equipamentos públicos e privados, para se realizar. Vários critérios podem ser definidos para ajudar as crianças a notarem a importância da cultura como componente de seus espaços, e também como componente de suas vidas. O plano de aulas a seguir vai trabalhar os critérios para se classificar os bens culturais que estão na paisagem geográfica assim como sugerir meios de visualizá-los. 

Objetivos 
- Contribuir na construção da percepção da presença dos bens culturais na paisagem local, avaliando sua importância em nossas vidas; 

- Exercitar o olhar sobre a paisagem local distinguido os objetos geográficos culturais dos outros, e distinguindo internamente os objetos culturais segundo critérios. 

Espera-se como desdobramento desse plano de aula que as seguintes expectativas de aprendizagem sejam alcançadas: 

- Que os estudantes sejam capazes de distinguir objetos geográficos cuja razão de ser sejam as práticas culturais; 

- Que eles sejam capazes de sentir a intensidade da vida cultural presente na paisagem de sua vida cotidiana, segundo os diversos critérios de práticas culturais.  

- Cultura e objetos geográficos culturais; 

- Bens culturais tradicionais; bens culturais modernos; 

- Bens culturais públicos; bens culturais privados. 

Ano
2º, 3º, 4º e 5º

Tempo estimado
2 aulas

Materiais necessários
- Mapas e croquis do bairro
- Material de anotação

Desenvolvimento das atividades 

Primeira aula
Esse plano de aula se enquadra num campo da aprendizagem, da construção de competências que a disciplina de Geografia tem um papel importante: a descentração espacial. Enxergar a vida ampla, o mundo de fora, que logicamente tem uma espacialidade para além do ambiente doméstico da criança. No caso desse plano de aula, o trabalho com a descentração continua focando uma dimensão fundamental que insere os seres humanos em seus territórios, que cria significado para a relação ser humano e seu espaço: as práticas culturais. A proposição é que as crianças tenham meios para enxergar os territórios, os objetos geográficos, os edifícios dedicados às práticas culturais. Não é simples, visto a complexidade dos espaços humanos e as diversas funções que atribuímos aos seus elementos. Não é simples porque distinguir objetos geográficos exige também saber distinguir as atividades humanas o que também não é fácil. Uma sugestão é que se visite o quarteirão da escola e se for preciso mais um segmento do bairro. Para tal listamos alguns procedimentos preparatórios e de execução, assim como os objetivos a serem alcançados:

Um croqui simples para a marcação: se a visita for em apenas um quarteirão (o que vai depender a diversidade existente) basta que numa folha A4 os estudante tracem na parte central da folha a rua de modo para que sobre nas laterais espaço para ir indicando os edifícios encontrados;

Como realizar a marcação no quarteirão: nas laterais do croqui o estudante marcará os espaços onde estão os edifícios e seu respectivo número e, o principal, anotará a função do objeto geográfico no terreno (o edifício, uma parte do edifício, um monumento artístico num jardim, etc.). Se ainda não se discutiu o que é função, anota-se o mais evidente: casa, comércio, fábrica, escola, praças, jardins, delegacia de polícia, hospital, equipamentos esportivos, livraria, templos religiosos, monumentos artísticos etc.

Classificar o que foi marcado segundo as funções sociais: se os dois passos anteriores resumiam-se a observação concreta, nesse momento vai se trabalhar algo mais abstrato uma classificação, e talvez a pergunta adequada para encaminhar a reflexão o que se faz em cada uma das localidades observadas. O objetivo aqui é encontrarem-se as práticas culturais e isso não deve ser dito ao estudante. Recomendamos que se apresente um quadro e que se peça a eles que completem, tal como o do exemplo a seguir. No caso, um dos itens pode ir completo somente para "inspirar" a criança na continuidade do preenchimento: 

Objetos geográficos de uma cidade

Objetos

Funções (o que se faz nesse tipo de objeto; para que ele serve)

Casa

As pessoas moram; serve para morar

Comércio

 

Indústria

 

Templo religioso (igreja)

 

Livraria

 

Hospital

 

Delegacia de Polícia

 

Escola

 

Cinema

 

Museu

 


Particular importância deve ser dada ao modo como o estudante vai se referir aos objetos cuja função refere-se às práticas culturais.

Por outro lado, talvez seja necessário e interessante o professor ajudar a classificação a ficar mais essencial, mais depurada. Por exemplo: eles podem preencher que no comércio se vende coisas que precisamos; que na fábrica se produz coisas e podem também acrescentar que esses lugares são lugares de trabalho, que dão trabalho, emprego para as pessoas. Seria interessante chamar a atenção dos alunos que essas atividades todas são importantes para criar bens para a nossa vida e que um nome que as resume é economia. O mesmo pode ser feito com os postos de saúde e hospitais e delegacias de polícia: são serviços públicos para cuidar da saúde das pessoas, para cuidar da segurança. Sugerimos que ainda nesse momento o professor não diga nada a respeito da cultura.

Deve-se pedir para se retornar ao quadro e voltar a se preencher as funções, agora com esses conceitos mais essenciais. Assim, eles vão preencher: funções de moradia; funções econômicas; funções de serviços para a maioria dos itens encontrados e algumas coisas irão sobrar. Provavelmente o templo religioso, o cinema, o museu. E é provável também que a livraria e a escola terão já sido classificadas como economia e serviços. E é o caso de assinalar que tanto no cinema, quanto na igreja e nem no museu o ser humano não em busca de nenhuma necessidade econômica, nenhum serviço e nem satisfazer necessidades básicas materiais, que são aquelas que resolvemos privadamente em nossas casas (a higiene pessoal, a alimentação, o repouso). Então o que se pretende dessas atividades? Está criado o cenário para se definir a cultura e suas práticas: algo relacionado aos nossos espíritos, aos nossos sentimentos: religiosidade, prazer estético, conhecimento. E se o ser humano cria edifícios e organiza seu tempo para cultivar essas coisas é porque elas são importantes para ele. Vale assinalar que cultura vem de cultivar.

Segunda aula
Espera-se que o que foi preparado anteriormente (e executado na primeira aula) tenha sido significativo e que o tema da cultura e de seus lugares de prática faça sentido para as crianças. O próximo passo será penetrar no mundo interno da cultura para entender sua diversidade e sua presença na vida deles, nos espaços de seus cotidianos. Começando por assinalar algo que ficou em aberto na primeira aula: a livraria e a escola. A primeira pode ter sido classificada como comércio, mas o que o ser humano pretende com um livro, por que ele lê? Ler não é uma atividade que se relaciona com o cultivo do espírito, que se relaciona com o prazer estético (arte), com o conhecimento? Então se relaciona com a cultura? Livraria então poderia ter tido sua função classificada como cultura, não é? O mesmo pode ser dito da escola, que é tem sem dúvida uma função cultural?

Ocorre que os bens culturais podem ser comercializados: pagamos para comprar um livro, para comprar um CD musical, para assistir uma sessão de cinema, para visitar um museu, para freqüentar uma escola etc. Quer dizer: se preciso pagar para ter acesso a bens culturais (produtos e locais) é porque eles pertencem a alguém, eles são privados. É importante reter essa idéia: o acesso a bens culturais que se encontram em nossa paisagem pode ser um acesso privado.

Mas, ocorre também que os bens culturais podem não ser comercializados com o acesso sendo dado de outra maneira: podemos ler livros numa biblioteca e até emprestá-los, levando-os para a casa sem ter que pagar nada; existem sessões de cinema gratuitas em certas instituições; existem escolas gratuitas, aliás, são essas que dominam nossa sociedade; nos templos religiosos a freqüência é livre e assim por diante. Quer dizer: existem bens culturais (produtos e locais) que são de acesso público, de acesso a princípio a todos. São bens culturais públicos.

Assim temos já duas categorias de objetos geográficos para as práticas culturais possíveis de serem distinguidas: 1. Objetos geográficos (relativos às práticas e aos bens culturais) privados e 2. Públicos.

Outra distinção, mais sofisticada, mas também muito importante refere-se a duas categorias de práticas culturais relacionadas às formas sociais: 1. Práticas culturais tradicionais e 2. Práticas culturais modernas. A seguir vamos comentar um pouco essas duas categorias.

Uma igreja relaciona-se a práticas culturais tradicionais, de muito tempo, em geral os templos religiosos das cidades, das paisagens locais, são muito antigos, diferentemente de uma livraria ou uma biblioteca que representa a cultura moderna, uma cultura ligada a educação, a alfabetização, a circulação das informações e do conhecimento, algo que não se praticava nas sociedades do passado. O mesmo pode se dizer comparando um circo (algo quase que desaparecido de nossa vida cultural) com o cinema. A própria escola é um objeto geográfico moderno, em especial no nosso país, pois representa um processo que é recente de universalização do ensino, da alfabetização etc. O professor certamente saberá identificar outras formas de diferenciar os objetos geográficos associados às práticas culturais, o que importa mesmo é que o estudante exercite esse olhar que vê e classifica, que enxerga, mas diferencia, que percebe o que há de comum, mas o que há de diferente em sua paisagem.

Retomando uma idéia inicial: essa atividade busca contribuir no processo de descentração espacial da criança e no caso trata-se de uma descentração sofisticada, que mergulha no espaço externo com critério identificando no espaço e classificando uma das faces do humano: a cultura. Por essa razão o que se propõe como conclusão desse plano de aula é que agora os alunos voltem ao seu bairro, à um conjunto de quarteirões, à sua cidade e procure identificar, assinalando em croquis, plantas ou mapas os objetos geográficos associados às práticas culturais segundo quatro categorias que se cruzam: objetos privados; objetos públicos; objetos tradicionais; objetos modernos. O que será uma igreja? Um objeto cultural público e tradicional. E uma biblioteca? Um objeto moderno e público. Quer dizer: cada objeto terá duas características.

Avaliação
Se dará no processo, na participação das dinâmicas propostas. Todas as passagens implicam numa atuação da criança e pode ser avaliada. É importante tomar cuidado para não tratar da mesma maneira a dinâmica dialógica. Aquela na qual o professor provoca verbalmente os estudantes estimulando-os à reflexão. Nesse tipo de atividade muitos alunos se inibem, não respondem publicamente o que não quer dizer que por vezes ele não esteja aproveitando bem.

Consultor Jaime Oliva

Professor e autor de livros didáticos.

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