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Objetivos
• Ler um texto de Machado de Assis.
• Conhecer um escritor cuja obra é considerada patrimônio artístico de grande excelência.
• Perceber como se estrutura um texto narrativo e interpretá-lo.
• Trabalhar tipos de narrador.
• Produzir um texto com estrutura narrativa (a continuação de um conto).
Conteúdos
• Verbos de elocução.
• Pontuação utilizada no discurso direto.
• Narrador em primeira e terceira pessoas.
• Discurso direto e indireto.
Anos
4º e 5º.
Tempo Estimado
Seis aulas.
Material Necessário
Cópia do conto História Comum, de Machado de Assis.
Desenvolvimento
1ª ETAPA
Antes de iniciar a leitura, comente com os alunos que o conto a ser lido foi escrito no século 19 por um escritor consagrado, chamado Machado de Assis. Pergunte se conhecem o autor, se já ouviram falar dele ou se já leram algo da autoria dele. Explique que a época em que ele viveu foi uma das mais importantes e movimentadas da história do Brasil. Conte que Machado passou toda a vida no Rio de Janeiro e que trabalhou como jornalista e funcionário público. Comente fatos históricos importantes desse século: a vinda da família real para o Brasil (1808); a proclamação da independência (1822) e a abolição da escravatura (1888). Acrescente ainda o nascimento de Machado de Assis (21/06/1839), o surgimento das primeiras bancas e dos primeiros jornaleiros no Rio de Janeiro (1892) e o falecimento do escritor (29/09/1908).
2ª ETAPA
Peça que os estudantes realizem uma primeira leitura autônoma. Em seguida, pergunte se compreenderam o texto. Faça alguns questionamentos: Do que trata o enredo? Quem conta a história? Por que tem esse título? Em que época se passa a história? Esclareça termos desconhecidos – por inferência ou buscando no dicionário. Palavras como, épico, vilão, chita, alcova, valsa, fichu, mucama, arrufos, lacaio, mister e sinhá são pistas que ajudarão a compreender o contexto de produção deste texto.
A servidão é apresentada no texto como algo natural, e o narrador deixa clara a posição inferior dos escravos: “Tinha-me comprado uma triste mucama”; “Que destino! Uma triste mucama. Felicidade. Este é seu nome.”; “– Felicidade, dá cá o vestido, aperta o vestido, onde estão as meias?”; “E Felicidade ia de um lado para o outro, solícita, obediente, meiga, sorrindo a todas ... tão feliz como se fossem suas filhas.” Destaque para os alunos o nome da escrava, Felicidade. Peça que comentem a ironia presente no texto.
Solicite que busquem no texto trechos que identificam o narrador: “Caí na copa do chapéu de um homem que passava.”; “Tinha-me comprado uma triste mucama”; “Sou um simples alfinete vilão, modesto...” Observamos verbos em primeira pessoa. Temos aqui um personagem-narrador: ele conta as ações e participa delas. Note que ele se posiciona como personagem principal. Peça que os alunos narrem oralmente a trajetória do alfinete. Essa é uma maneira de perceber se compreenderam o texto. O alfinete foi adquirido por uma mucama numa loja. Depois, foi colocado num baú, onde permaneceu por algum tempo, até que, numa certa manhã, foi retirado de lá para pregar o lenço de chita que a mucama trazia no pescoço. Ficou assim por um período: de dia no lenço e de noite numa caixinha de papelão. Acompanhava todos os movimentos da mucama até ir parar no vestido de seda de uma senhora da casa, prendendo uma bela rosa. Ele foi cedido pela mucama, já que a senhora necessitava com certa urgência – estava de saída e a rosa caiu do vestido. Assim, participou de um baile, em casa de desembargador e, finalmente, foi despregado da rosa, porque a moça a entregou ao namorado, sendo atirado à rua, indo cair na copa do chapéu de um homem que passava.
Pergunte: por que é uma história comum? Espera-se que por inferência, consigam perceber que o autor deu “vida” a um objeto para mostrar que “coisas” simples não têm tanta importância, porque podem ser facilmente repostas, substituídas. Note que no início do texto ele diz “alfinete vilão, modesto”, no sentido de ser simples, sem nobreza. Nas entrelinhas, percebemos valores de uma sociedade que classifica as pessoas: comuns, inferiores ou nobres e importantes. A ironia do texto reside exatamente aí: o alfinete desejava ascender socialmente mas, em virtude de um determinismo – ele é comum –, acabou tendo suas expectativas frustradas, já que “quem nasce modesto nunca chegará a ser nobre, porque nobreza vem de berço”.
Realize uma segunda leitura, dessa vez compartilhada. Comente que Machado de Assis tinha um jeito peculiar de narrar. Peça que observem como o narrador conversa com o leitor, convida-o para participar de cada cena, mergulha no pensamento dos personagens: “Perdoe-me este começo”; “Já o leitor sabe que caí...”; “...não há senão o espaço de contar a minha aventura”. Ele também faz ironias: “Façam-me o favor de dizer se Bonaparte teve mais rápida ascensão.” (referência a Napoleão Bonaparte. O alfinete ascende do lenço de chita de uma mucama para o vestido de seda de uma senhora); “Ah! enfim! eis-me no meu lugar” (o lugar em questão refere-se ao vestido de um mulher nobre).
Comente com os alunos que em textos narrativos um recurso comum do narrador é utilizar o discurso direto – colocar o personagem para falar. Solicite que observem trechos com discurso direto no texto:
– Que meias, nhanhã?
– As que estavam na cadeira...
– Uê! nhanhã! Estão aqui mesmo.
Observe que se trata de uma conversa entre uma moça da casa e sua criada. Chame atenção para a pontuação empregada no discurso direto.
3ª ETAPA
Terminada a leitura, pergunte se a turma gostou do texto e por quê. É interessante observar os depoimentos, uma vez que este conto foi escrito para leitores de um outro contexto sócio-histórico. Solicite uma pesquisa em sites, enciclopédias e livros de Machado de Assis. Peça a biobibliografia do escritor. Com esse trabalho, eles vão ficar sabendo que Machado era neto de escravos, teve uma infância difícil e ainda assim conseguiu tornar-se o maior escritor de nossa literatura. É interessante que a pesquisa seja lida e comentada pelo professor durante a aula.
Avaliação
Peça que os alunos escrevam uma continuação para a história. O que terá acontecido com o alfinete depois de ter ido parar na copa do chapéu de um estranho. Eles terão de utilizar o narrador em terceira pessoa (ele conhece os fatos, mas não participa da história. Se quiser, solicite que alguns estudantes realizem a leitura da produção, comente-as e escolha com a turma o texto mais interessante, original e surpreendente.
Professora de Língua Portuguesa e Literatura da EMEF Dr. Antonio Carlos de Abreu Sodré, em São Paulo
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