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Planos de aula

Ensino Fundamental I
Língua Portuguesa Língua Escrita Leitura

Plano de Aula

Análise detalhada do conto Um Apólogo

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Objetivo
• Contribuir para a formação do leitor literário.

Conteúdo
• Leitura e compreensão do texto Um Apólogo.

Tempo Estimado
 24 aulas.

Anos
4º e 5º.

Material Necessário
• Cópias do texto Um Apólogo para cada aluno.
• Livros e sites de História do Brasil sobre fim do Império, a abolição da escravatura, proclamação da República e a sociedade do Rio de Janeiro no século 19.
• Obras de Machado de Assis (é possível baixá-las pelo site www.dominiopublico.gov.br ).
• Biografia de Machado de Assis (www.releituras.com/machadodeassis_bio.asp).
• Um bom dicionário.
• Imagens do escritor e da época em que viveu.
• Revistas com reportagens sobre Machado de Assis.
• Documentários e filmes.
• Uma caixa de costura com agulha, linha e alfinete, e um pedaço de tecido.

Desenvolvimento
1ª ETAPA
Peça que os alunos citem nomes de escritores que eles conhecem, ou porque já leram livros ou porque ouviram falar deles. Ajude-os nesta lembrança, dizendo títulos de obras que você sabe já terem sido lidas por eles. Vá escrevendo os nomes dos escritores no quadro-negro. Se não forem citados, não se esqueça de acrescentar à lista importantes nomes como: Ruth Rocha, Ana Maria Machado, Ricardo Azevedo, Ângela Lago, Eva Furnari, Tatiana Belinky e, principalmente, Monteiro Lobato. Continue a investigação. Pergunte se eles sabem quem são os dois famosos escritores brasileiros que estão sendo homenageados em 2008. Dê as dicas: um é mineiro e nasceu em 1908. É conhecido internacionalmente pela obra Grande Sertão: Veredas. O outro é carioca e morreu em 1908. É mais conhecido pelo livro Dom Casmurro, em que conta a polêmica história de amor entre Capitu e Bentinho. Mostre imagens do escritor Guimarães Rosa (1908-1967), nascido em Cordisburgo, a 124 quilômetros de Belo Horizonte, e de Machado de Assis (1839-1908), nascido no Rio de Janeiro. Observe as informações que a garotada já tem para equilibrá-las com os novos conhecimentos. Em seguida, conte que a turma conhecerá o principal escritor brasileiro, Machado de Assis, a vida e as obras dele e a época em que viveu.

2ª ETAPA
O ambiente retratado nas obras de Machado de Assis está muito distante da realidade dos estudantes. Para aproximá-los daquele tempo, transforme a sala de aula num espaço oitocentista. Reúna as obras de Machado e elementos visuais representativos do século 19: revistas, documentários, filmes, imagens, objetos etc. Crie com a garotada um ambiente literário. Todos os dias, enquanto durar o projeto, coloque-as no chão sobre um bonito tecido colorido (uma cortina, uma colcha, uma canga etc.). Também monte um painel. Para isso, divida a classe em grupos, cada um responsável por pesquisar um tema: o Brasil do século 19; cenários, pessoas, transporte (carros puxados a burro e bondes com tração animal) do Rio de Janeiro mostrados em gravuras e pinturas; biografia do escritor e a relação das obras.

3ª ETAPA
Com a classe familiarizada com a época, é o momento de iniciar a leitura do texto Um Apólogo. Esclareça, antes, que apólogo é uma narrativa curta e, como a fábula, tem uma moral. Elas se distinguem pelas personagens: no apólogo são objetos inanimados (plantas, pedras, rios, relógios, moedas, estátuas etc.) e na fábula, geralmente, são animais. Depois, abra a caixa de costura e deixe à vista o pedaço de tecido, a agulha, o carretel de linha e o alfinete. Inicie perguntando para os alunos se eles sabem quem serão as personagens da história. Depois, de frente para a classe, enfie a linha na agulha. Pegue o tecido, dobre-o ao meio e vá costurando, juntando as duas partes. Interrompa a costura, espete o alfinete no tecido e devolva-o à caixa. Em seguida, questione a função da agulha, da linha e do alfinete na costura de uma roupa. Pergunte também se eles conhecem um sinônimo para o verbo costurar e se já ouviram a palavra coser. Escreva essas duas palavras no quadro-negro, explicando que são sinônimas. Em seguida, compare o significado e a escrita de coser e cozer. Sintetize: o verbo coser é escrito com s e significa costurar; o verbo cozer é escrito com z e significa cozinhar. Termine essa etapa perguntando aos alunos quem eles prefeririam ser: a agulha ou a linha na costura de um vestido de baile. Peça que justifiquem a escolha com bons argumentos. Faça duas colunas no quadro-negro: Prefiro ser agulha porque / Prefiro ser linha porque. Vá listando os argumentos na coluna correspondente. Essas atividades preparam a classe para a recepção do texto.

4ª ETAPA
Avise os estudantes que o texto a ser lido é muito antigo. Por esse motivo, algumas palavras, expressões e costumes não são conhecidos por eles. Dê atenção às palavras e expressões desconhecidas. Ajude-os a descobrir os significados pelo contexto, sem usar o dicionário. Um Apólogo conta a discussão entre a agulha e um novelo de linha para saber quem é mais importante e faz um trabalho melhor, enquanto a costureira (modista) costura o vestido de baile da dona da casa (ama), uma baronesa. Pergunte que impressão eles têm de um texto que inicia com “Era uma vez ...”. Será que se trata de um conto de fadas? Se não for, que outra idéia o leitor faz de um texto que tem tal começo? Encaminhe-os a pensar que esse início prenuncia uma história em que tudo é possível. Objetos e animais podem falar e apresentar características humanas. No final do estudo, a classe deve responder novamente, comparando com o que tinha pensado antes da leitura.
Leia o texto para a classe até o início da argumentação:
“– Mas você é orgulhosa.
– Decerto que sou.
– Mas por quê?”
A partir desse ponto, peça que a turma observe os argumentos da linha e da agulha e como cada um deles, apesar de válido, é derrubado. Conclua a leitura, releia o texto e explique os trechos que apresentam alguma dificuldade quanto ao vocabulário.

5ª ETAPA
Inicie a análise do texto. Auxilie os estudantes a perceber os elementos da narrativa. Quem são os personagens, principais e secundários? Em que lugar a história se desenvolve? Quanto tempo se passa entre o momento em que a agulha começa a implicar com o novelo de linha até a finalização da costura do vestido? Por que a agulha e a linha interromperam a discussão? Quando a discussão recomeça? No texto, quem é, afinal, a mais importante no trabalho de costurar: a agulha ou a linha? Por quê? Explique a relação entre a vitória da linha e a moral. Quem é o narrador da história? Ele diz ao leitor que contou essa história a uma pessoa. Quem é ela? De que época é a história? Peça que os alunos justifiquem as respostas com elementos do texto.

6ª ETAPA
Ajude os alunos a refletir sobre o que leram. Nos apólogos, os objetos são personificações de valores e comportamentos humanos. A moral é expressa como conclusão. No texto, o alfinete é o porta-voz da moral da história. Discuta com a classe essa moral: existem pessoas que facilitam a vida de outras, ajudando, abrindo caminhos, e, na hora da conquista, quem recebe os benefícios é aquela que foi ajudada. Pergunte o que pensam sobre isso. Peça que cada um defenda sua opinião garantindo um espaço democrático, em que todos tenham vez para expor seu ponto de vista.

7ª ETAPA
O texto Um apólogo permite uma reflexão sobre os papéis de cada um em uma situação de trabalho. Questione a classe. Quando o trabalho é em equipe, um é melhor do que o outro? Qual é o papel de cada um no esporte de grupo, no teatro, na dança?

8ª ETAPA
Trabalhe o conceitos de arrogância e o de humilhação. Peça que a garotada observe no texto a arrogância da agulha e depois a humilhação pela qual teve de passar, retornando à caixinha. Solicite outros exemplos de arrogância e humilhação.

9ª ETAPA
O texto tem pontuação riquíssima. Examine com a classe essa pontuação dedicando atenção às reticências.

Avaliação
Como o objetivo é a formação do leitor literário, são a compreensão e a visão crítica do texto que devem ser avaliadas. Para isso, apresentamos algumas sugestões de atividades:
• Leitura dramatizada do texto, em que um aluno é o narrador e outros três fazem a fala da agulha, da linha e do alfinete.
• Dramatização da cena da costureira ajudando a baronesa a vestir-se e fazendo os últimos acertos no vestido, antes de ela sair para o baile. Nesse momento, a costureira tem a agulha espetada na parte de cima de sua vestimenta.
• Transformar o texto em peça de teatro (desde que antes eles tenham contato com textos do gênero).
• Fazer um debate sobre a moral de Um Apólogo.
• Contar a história sem ler, para um público que não seja formado pelos colegas.
• Escrever um apólogo.

Consultoria: Heloisa Cerri Ramos

Especialista em Língua Portuguesa e formadora do projeto Letras de Luz, da Fundação Victor Civita.

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