
| Língua Estrangeira | Análise e Reflexão sobre a Língua e a Linguagem | Aspectos Gramaticais |
Introdução
O objetivo principal deste projeto é que os alunos aprimorem a competência leitora de textos literários em inglês e que sejam capazes de elaborar glossários para os colegas de classe. Os glossários podem ser compilados e se tornarem parte do acervo da bilioteca da escola.
Sabemos que a linguagem literária não é imediatamente acessível. Não porque não tenhamos capacidade de fazer essa aproximação, mas porque o homem não se utiliza cotidianamente de todas as possibilidades que tem para se comunicar.
A História nos mostra que há uma relação entre a forma como o ser humano produz sua vida e a forma como se comunica com os outros homens. A linguagem mais utilizada pelos homens hoje para se comunicar, ou seja, aquela que é mais valorizada socialmente, mantém uma relação muito próxima com a maneira pela qual o homem se organiza em sociedade.
As inúmeras possibilidades criadas pelo desenvolvimento das tecnologias de comunicação, também fizeram com que reproduzíssemos a linguagem que lhes é peculiar e que a difundíssemos para outras esferas da vida. Assim, nos expressamos por meio de uma linguagem mais econômica, mais objetiva, mais direta. Os textos figurados, as formas lingüísticas que requerem reflexão e a reconstrução de significados compartilhados culturalmente estão circunscritos a poucos mundos da vida. Nesse contexto, cabe à escola apresentar ao aluno linguagens com as quais ele pode não ter contato tão intenso no cotidiano.
Se essa tarefa já se constitui num desafio bastante grande em língua materna, supomos que para estudantes de uma língua estrangeira ela seja ainda maior. Por isto é que o projeto tem duração de um ano, mas pode ser complementado por atividades permanentes que tematizem outros gêneros textuais. Além disso, é fundamental que o professor ofereça as condições didáticas necessárias para que os alunos tenham acesso aos textos literários, que podem ser ligeiramente adaptados, mas sem que percam a qualidade literária e as marcas do gênero. Um boa estratégia é propor que os alunos elaborem glossários para a leitura dos textos. Eles tanto podem contribuir para que os alunos aprendam a usar dicionários como para a reflexão sobre a gramática.
É difícil precisar o sentido das palavras num texto literário e isso torna-se evidente quando elaboramos glossários. O dicionário ajuda mas, muitas vezes, é preciso construir o sentido que uma determinada palavra ou expressão tem no texto para produzirmos um glossário de qualidade. Nesse sentido, é fundamental observar que os conteúdos procedimentais e conceituais, quando articulados, permitem que os alunos tenham um repertório mais sofisticado sobre o tema e um instrumental mais eficiente para a construção da competência leitora. Saber usar um dicionário inglês-inglês para resolver questões relativas ao vocabulário de um texto literário é um procedimento que exige a utilização de conceitos. O conhecimento da morfologia, por exemplo, pode contribuir para a realização da tarefa, na medida em que consiste em mais um recurso para a análise.
Objetivos
Com o projeto, esperamos que os alunos:
- construam os conceitos de linguagem e literatura,
- identifiquem características da comunicação humana;
- apropriem-se de procedimentos que os aproximem da leitura de textos literários;
- usem adequadamente o dicionário inglês/inglês;
- elaborem um glossário;
- conheçam diferenças culturais, sociais e lingüísticas por meio da leitura e análise de textos literários.
Desenvolvimento das atividades
1ª Etapa
1. Apresentar o Projeto
2. Ler o texto “Letters” (um dos dois textos que compõem o exame de língua inglesa da Fuvest 1998), cujo objetivo é polemizar a possibilidade de uma visão poética da ciência. O texto nos permite construir a noção de expressão poética e fazer uma discussão acerca do lugar dessa forma de expressão na academia e no mundo contemporâneo. Solicitar que os alunos realizem a leitura do texto em duplas, buscando compreendê-lo de forma geral.
3. Produzir glossário para o texto acima, trabalhando o uso do dicionário inglês-inglês. Levantar com os alunos as palavras que merecem figurar no glossário. É importante que o professor divida os alunos em grupos de 4 integrantes, que divida as palavras que devem compor o glossário entre os grupos e que oriente os alunos para que a produção deles realmente faça sentido para o coletivo, ou seja, contribua para a leitura do texto pela classe. Durante a produção do glossário, é importante que o professor retome procedimentos simples do uso do dicionário como: a ordem alfabética em que as palavras estão dispostas, a função da palavra localizada no topo da página, da multiplicidade de sentidos que uma mesma palavra pode ter e as formas pelas quais os dicionários apresentam esses sentidos.
4. Reler o texto a partir do glossário, evidenciando a eficiência da produção coletiva e tematizando os verbetes que podem não estar adequados ao contexto;
5. Construir em duplas o conceito de linguagem. Socializar os conceitos a que chegaram as duplas e elaborar um conceito coletivo. Comparar com a definição que o dicionário oferece. É fundamental ressaltar aqui que a palavra language, em inglês, pode significar “linguagem” ou “língua”. Propopr uma discussão sobre essa diferença. Também vale iniciar uma reflexão sobre as abreviaturas usadas pelo dicionário e sua função. O que significa o n (noun) que vem logo após a palavra language? E o C (countable) e o U (uncountable)? Que implicaçõe stem esse conhceimento para a pesquisa nos verbetes dos dicionários?
6. Listar o que os alunos sabem sobre as características da comunicação humana. Estimular a discussão por meio da pergunta: o que a linguagem humana nos permite fazer?
7. Pedir que pesquisem em casa sobre as características da comunicação das abelhas e das formigas, buscando responder a mesma pergunta: o que a linguagem delas as permite fazer? Além disso, propor uma outra pergunta: o que essa forma de comunicação tem a ver com a maneira como vivem as abelhas e formigas? Os alunos podem pesquisar em textos de língua portuguesa, mas devem buscar elaborar as listas com palavras em inglês;
8. Socializar a pesquisa sobre as características da comunicação dos animais, priorizando responder as perguntas sugeridas e estabelecendo um paralelo entre as formas de organização da vida e as formas de comunicação;
9. Produzir texto coletivo para ser anotado no caderno a partir da discussão sobre as características da comunicação humana e das abelhas e das formigas;
10. Perguntar aos alunos se estão habituados a ler textos literários. Listar o que já conhecem da literatura de língua inglesa. Supomos que os alunos não possuem um amplo repertório sobre o tema. Perguntar as razões disso. Listar o que torna difícil o acesso a esses textos e o que eles exigem. Perguntar se essa dificuldade estaria associada ao tipo de vida que temos. Anotar as conclusões da discussão.
2ª Etapa
1. Dizer aos alunos que eles vão ler uma short story. Pedir que digam o que esperam de um texto desse gênero. Dizer a eles que o conto que vão ler chama-se “Cat in the rain” (em More Modern Short Stories, organizado por Peter Taylor, Oxford Editora). Mostrar o livro (outros textos podem ser lidos, dependendo do nível de conhecimento dos alunos. A Editora Heinemann tem vários títulos clássicos adaptados) e explorar o título da compilação e o texto de apresentação da edição que se encontra na quarta-capa. Explorar a composição do livro: introdução da obra, biografia dos autores, contos, glossários e perguntas que orientam a leitura. Pedir que leiam a introdução da obra em casa e sublinhem o que mais lhe chama a atenção.
2. Em duplas, socializar o que foi sublinhado na leitura da introdução e responder as perguntas: como se caracteriza uma short story, que autores fazem parte dessa compilação e o que eles possuem em comum. Socializar com o grupo classe o que cada dupla concluiu;
3. Perguntar o que o título “Cat in the rain” os faz pensar. Listar o que dizem sobre gatos, chuva e gatos na chuva; Pedir que leiam, em casa, a biografia de Ernest Hemingway e que sublinhem os dados mais importantes de sua vida e de sua obra, em particular do conto a ser lido “Cat in the rain”;
4. Em duplas, elaborar um perfil biográfico do autor a partir dos dados selecionados na biografia lida. Com os perfis já escritos, estabelecer critérios de elaboração de um perfil biográfico do autor por toda a classe. Elaborar o perfil e guardá-lo para compor o acervo da biblioteca ou do site da escola. Solicitar que leiam, em casa, o conto “Cat in the rain”, buscando sublinhar possíveis palavras para compor um glossário que complemente aquele oferecido pela obra;
5. Listar as palavras que os alunos selecionaram para completar o glossário oferecido pela obra. Didivir os alunos em grupos de 3 integrantes cada e dividir as palavras a serem pesquisadas por cada um dos grupos. O professor deve orientar cada grupo individualmente para que as dúvidas que tenham possam servir de motivo para a construção de conhecimento a respeito do uso do dicionário e da noção de função literária da linguagem. Ou seja, um bom uso do dicionário mostrará suas fragilidades e vai requerer que os alunos construam definições próprias para as palavras selecionadas. A atividade também mostrará ao aluno que se ele conhecer as classes gramaticais e a função que as palavras exercem no texto, pode fazer um uso do dicionário mais rápido e de melhor qualidade. Nesse momento, é importante que o professor oriente cada grupo e tematize o uso do conhecimento gramatical para a escolha da melhor definição que o verbete oferece;
6. Digitar as definições elaboradas e organizar o glossário coletivo. Distribuir o glossário para todos os alunos da classe e solicitar que releiam o conto com o apoio do glossário elaborado pela classe. É interessante que coloquemos como objetivo de leitura a observação de como se compõe a relação características psicológicas da personagem e definição da atmosfera do conto, pensando em como se caracterizam o espaço e o ambiente de forma geral e de como esses elementos do conto narrativo estão articulados em “Cat in the rain”;
7. Pedir que os alunos recontem o conto. Cada aluno pode falar um trecho da narrativa numa roda de conversa. O professor deve orientar o reconto da história de forma que toda a seqüência da narrativa seja abordada. Fazer perguntas que estimulem os alunos a evidenciar os detalhes e a coerência interna do texto é fundamental. No caso do conto em questão, é importante fazer com que os alunos descrevam o ambiente e descrevam como as caracaterísticas psicológicas da personagem principal e que estableçam a relação entre esses dois elementos da narrativas. Essa relação consiste no eixo central da história a que todos os outros elementos estão articulados;
8. Tematizar o que os alunos observaram com a releitura do texto e a discussão em classe. Nesse momento, faz-se necessário sistematizar as conclusões sobre as características da linguagem literária, os elementos do conto narrativo e suas articulações e as relações entre vida e obra do autor. Fazer anotações no caderno;
9. Outros contos da mesma edição como “The Invisible Japanese Gentlemen”, The Enormous Radio” e “The Silence” podem ser lidos e discutidos. O ideal é que a classe seja dividida em grupos que cada dois grupos façam a leitura e o glossário para uma das histórias. Depois, os dois grupos que fizeram o glossário para a mesma história devem comparar a produção feita e chegar a um glossário comum. Os glossários devem ser organizados e distribuídos para todos os alunos da classe. As discussões das histórias podem ser feitas a partir das mesmas estratégias já utilizadas, considerando as especificidades de cada história, obviamente.
Assessora educacional para a área de linguagem
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