
| Arte | Linguagem Teatral | Teatro como Produto Histórico-Cultural |
Introdução
Ópera é um espetáculo que reúne diversas linguagens artísticas: música, poesia e teatro. A palavra tem a mesma origem que Opus, e significa em latim, o plural de "obra". Além disso, é um espetáculo que exige esforços coletivos para ser bem realizado, exige participação e envolvimento do grupo.
A ópera não é um espetáculo só para especialistas, no século XIX o teatro cantado/musical era um espetáculo popular por excelência. Várias óperas estão ligadas ao folclore de muitos povos.
A origem européia do espetáculo com canto e música, com linguagem e dança, teve origem na tragédia grega, na qual se cantava e o coro e os atores usavam máscaras. Mas a ópera tem sua origem marcada na Itália, na corte Mantovana dos Gonzaga e como espetáculo público, em Veneza. Porém o seu centro irradiador foi Nápoles.
Ao longo do tempo seu formato vai se alterando e no século XVII a ópera assume a sua forma conhecida até hoje, de espetáculo teatral totalmente cantado. Um espetáculo com vozes que cantavam individualmente, uma ação teatral, cenários e figurinos.
A primeira ópera no sentido moderno é a Dafne em 1597 e Eurídice, ambas de Jacob Peri (1561-1633), esta última, estreada em 06 de outubro de 1600, no Palácio Pitti, em Florença, por ocasião das núpcias de Maria de Médicis e Henrique IV. Eram ainda bastante rudimentares em termos de narrativa dramática. Por serem os primeiros trabalhos sua estrutura ainda não estava bem definida, sendo as óperas de então colagens de melodias e árias que por coincidência falavam da mesma coisa.
Nasce como espetáculo privado destinado às cortes e aconteciam durante as festas próprias da nobreza. Foi durante o carnaval de Veneza de 1673, no Teatro de San Casiano que nasceu o Teatro de Ópera, com a representação de Andrômeda.
A ópera barroca é o período em que esse espetáculo desenvolveu suas habilidades narrativas. Os assuntos mitológicos, cavalheiresco e histórico foram hegemônicos sobre os demais temas, especialmente o mitológico. A técnica teatral da época utilizava vestimentas complexas e uma profusão de adornos. A estrutura da ópera barroca é sempre a mesma: consistia de uma introdução, a abertura (peça instrumental, sem função dramática) lenta e majestosa – abertura francesa, ou rápida – abertura italiana; seguida por um movimento rápido, o recitativo (seção que predominava a palavra, pois nele se desenvolve ou se explica a ação) contrastando em velocidade e caráter com o anterior e desfecho lento, uma repetição da primeira seção.
Em meados do século XVIII, ao longo do período conhecido na Europa como classicismo, a ópera incorpora preceitos estilísticos dessa nova corrente, ou seja, o sentido da forma e do gênero, indispensáveis à razão, à medida. A arte obedece à cânones, normas, regras, preceitos. Sua estrutura é caracterizada pela forma, já experimentado no barroco, mas normatizada nesse momento, marcada pela divisão de cada parte em árias, duetos, coros, intermezzos; divisões bem delineadas e a ação preenchida com a alternância da música e o diálogo (recitativo).
É nesse período também que a participação dos antigos mecenas, as cortes e a igreja, se reduz frente ao aumento da presença dos burgueses que se interessaram tanto pela música orquestral como operística. Empresários particulares que investiam na contratação de artistas e na construção de teatros.
A ópera é uma das chaves do século XIX, século romântico por excelência. As grandes cidades da época têm dois monumentos característicos: a estação ferroviária e o teatro lírico. Este último sendo o local fechado onde toda a sociedade se exibe, dividida em classes sociais, conforme os andares. O teatro se amplia e dá lugar a uma sala onde cabem vários milhares de pessoas. Os espaços da entrada e da circulação (escadas e salões) que eram anteriormente pequenos e tímidos, são ampliados e decorados com a suntuosidade palaciana.
Um projeto didático que tenha como objetivo permitir a compreensão do teatro como um produto histórico-cultural implica na compreensão dos aspectos formativos e das alterações pelas quais passaram e passam as linguagens artísticas, contextualizadas e compreendidas como fruto das constantes transformações dos grupos socais.
Trabalhar com a ópera permite abordar aspectos do teatro, da música e da poesia - poemas cantados e encanados com acompanhamento musical - numa perspectiva histórica que estimula o trabalho e a pesquisa interdisciplinar.
Objetivos
Conhecer e distinguir diferentes momentos da História do Teatro, os aspectos estéticos predominantes, a tradição dos estilos e a presença dessa tradição na produção teatral
contemporânea;
Identificar os equipamentos de cultura, neste caso especialmente teatros, da cidade e do bairro, bem como sua programação.
Objetivos específicos
Conhecer os elementos da linguagem teatral. Incentivar a pesquisa e a melhoria dos materiais disponíveis na escola para a atividade teatral;
Domínio do vocabulário apropriado para a apreciação e caracterização de trabalhos ligados à esfera do teatro;
Conhecer e distinguir diferentes momentos da História do Teatro/Ópera, os aspectos estéticos predominantes da ópera, a tradição dos estilos e a presença dessa tradição na produção teatral contemporânea;
Conhecer a documentação existente nos acervos e arquivos públicos sobre o teatro, sua história e seus profissionais e como poderia ser acessada;
Acompanhar, refletir, relacionar e registrar a produção teatral construída na escola, a produção teatral local, as formas de representação dramática veiculadas pelas mídias e as manifestações da crítica sobre essa produção.
Materiais necessários
Material audiovisual e sonoro, livros, reportagens e matérias de jornais e revistas que tratem de ópera.
Material para confecção de adereços e cenário (pode ser em escala de maquete): lápis, caneta colorida, sulfite, tesoura, cartolina, papel crepon, fita adesiva e barbante.
Desenvolvimento da atividade
Primeira Etapa
Introdução da temática. Apresentar a composição de um espetáculo de ópera com todos os seus integrantes: orquestra, coro, solistas, cenário, figurino, a história. A apresentação da ópera deve ser feita a partir da montagem do espetáculo. Iniciar pela audição de um trecho de uma ópera. Escolha óperas mais populares como Carmen, La Traviatta, La Bohème, por exemplo. Peça aos alunos que pesquisem sobre o assunto. Exemplo: programação teatral da cidade; a origem da ópera; teatros de ópera da cidade; entre outros temas. Nessa etapa é de grande importância a identificação dos espaços cênicos disponíveis na cidade e no bairro.
Segunda Etapa
Separe a sala em grupos que podem trabalhar com cada parte envolvida na montagem de um espetáculo de ópera. Apresente os materiais de pesquisa sobre os temas. Pesquise sobre o contexto histórico, os compositores, a música, sobre os figurinos, o cenário, o teatro (e tipo de palco). Aqui deve ser estabelecido o planejamento da atividade com os grupos. Apresentada as etapas do trabalho.
Terceira Etapa
Cada grupo apresenta o resultado das suas pesquisas. A ópera trabalhada será o limite cronológico da pesquisa.
Quarta Etapa
Os grupos começam a pensar na elaboração de uma montagem dessa ópera. A escolha do tipo de teatro onde será realizado, suas características, ajudará na compreensão da especificidade de cada espetáculo e da evolução técnica/construtiva dos teatros. O objetivo é que o grupo possa a partir da realização, vivenciar questões concretas envolvidas na montagem de um espetáculo.
Quinta Etapa
Início das atividades práticas para cada grupo. Mesmo que ela não seja encenada, poderá ser representada por desenhos de personagens, figurino, cenário ligados ao trecho selecionado.
Sexta Etapa
Apresentação do resultado do trabalho.
Atividades Complementares
A pesquisa pode ser realizada na biblioteca da escola, do bairro, na sala de informática.
O trabalho pode ser interdisciplinar envolvendo as demais áreas do conheciemnto.
Produto Final
Apresentação de um espetáculo de ópera, montado/desenhado.
Avaliação
Todas as etapas devem ser avaliadas. Deve haver consenso antes da continuidade das etapas do trabalho. O resultado final deve ser produto de cada uma das partes envolvidas. A compreensão do processo histórico-cultural do teatro e a realização das etapas mencionadas acima são os elementos principais a serem avaliados.
Bibliografia
AMARAL, Antonio Barreto do. História dos velhos teatros de São Paulo. São Paulo: Governo do Estado de São Paulo, 1979.
ÁVILA, Affonso. O teatro em Minas Gerais: séculos XVIII e XIX. Ouro Preto: Secretaria municipal de turismo e cultura, 1978
BOUZAS, José Arcanjo do Couto. Dados sobre o Teatro Municipal de Sabará. Sabará: Secretaria Municipal de esportes, lazer e turismo, 1994. Texto xerografado.
BRANDÃO, Ignácio de Loyola. Teatro Municipal de São Paulo. São Paulo: DBA, 1993. Coleção Grandes Monumentos.
BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA. SPHAN/Fundação Nacional Pró-Memória. Boletim 17. Rio de Janeiro: Fundação Pró-Memória. p.28, mar./abril 1982.
BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA. SPHAN/Fundação Nacional Pró-Memória. Boletim 22. Rio de Janeiro: Fundação Pró-Memória. p.27, jan./fev. 1983.
BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA. SPHAN/Fundação Nacional Pró-Memória. Boletim 33. Rio de Janeiro: Fundação Pró-Memória. p.3, nov./dez. 1988.
BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA. SPHAN/Fundação Nacional Pró-Memória. Boletim 44. Rio de Janeiro: Fundação Pró-Memória. p.27, jan./fevil 1983.
BRASIL. MINISTÉRIO DO INTERIOR. FUNDAÇÃO PROJETO RONDON. Monumentos históricos do Maranhão. São Luís: SIOGE, 1979.
CARRAZZONI, Maria Elisa (coord). Guia dos Bens Tombados. Rio de Janeiro: Expressão e Cultura, 1980.
CASTRO, José Liberal de. Arquitetura do Ferro no Ceará. Revista do Instituto do Ceará. Fortaleza, 1992.
CHAMIE, Emilie. Teatro Municipal 70 anos. São Paulo: Secretaria Municipal de Cultura, 1982.
CHAVES JR., Edgar de Brito. Memórias e Glórias de um teatro. S.l.: s.n., [19-].
FRAGA, Fernando, MATAMORO, Blas. A Ópera. São Paulo: Editora Angra, 2001
FRANÇA, Rubem. Monumentos do Recife. Recife: Secretaria de Educação e Cultura, 1977.
GOMES, Geraldo. O novo teatro José de Alencar. Projeto. n. 141, p.85-88, maio 1991.
MENDES, Luciene do Rocio Araujo. Respostas referentes sobre teatros do Brasil. Lapa: Prefeitura Municipal, 1994.
PAIXÃO, Múcio da. O theatro no Brasil. Rio de Janeiro: Brasília, 1936.
SEGAWA, Hugo. Arquiteturas de teatros: o século XIX. A Belle Époque no Brasil. Projeto. n.112 p.123-128, 1988.
SILVA, Lafayette. História do teatro brasileiro. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde, 1938.
SOUSA, José Galante de. O teatro no Brasil. Rio de Janeiro: MEC/Instituto Nacional do Livro, 1960.
TEIXEIRA, Luís Manuel A. de M. Dicionário Ilustrado de Belas-Artes. Lisboa: Editorial Presença, 1985.
ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Walter Moreira Salles/Fundação Walter Moreira Salles/Fundação Djalma Guimarães, 1983. 2v. V1.
Internet
www.mnemocine.com.br/filipe/opera.htm
Licenciada em História, pós-graduada em Museologia e mestranda em História Social. Trabalha como educadora em museus, teatros e sítios históricos.
Não encontrou
o que estava buscando?
| Conteúdo On-line | Edições impressas | Multimídia | Espaço do leitor | Educação infantil | Prêmio FVC | Fundação Victor Civita | Mapa do site
© FUNDAÇÃO VICTOR CIVITA - Todos os direitos reservados.