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Objetivos
• Ler e discutir o conto O Caso da Vara, de Machado de Assis.
• Analisar características do texto literário: espaço, tempo, narrador, enredo, personagens.
• Assinalar as marcas de ironia presentes no texto.
• Explorar o uso do dicionário, identificar a pluralidade de significados das palavras, refletir sobre a constituição desses significados e escolher os que são adequados ao contexto.
• Posicionar-se a respeito de questão ética.
• Assinalar, com base no conto, aspectos da vida cotidiana do Brasil na segunda metade do século 19: trabalho, aspirações sociais, relações afetivas e de poder.
• Produzir pequenos textos argumentativos, posicionando-se a respeito do desenlace do conto.
Conteúdos
• Características do texto literário.
• O texto argumentativo e os articuladores do discurso.
Anos
7o e 8o.
Tempo Estimado
20 aulas.
Material necessário
• Cópias do conto O Caso da Vara para todos.
• Textos jornalísticos de caráter argumentativo e que tenham a presença marcante de articuladores.
Desenvolvimento
1ª ETAPA
Apresente o projeto à classe explicando que ele é sobre um conto de um escritor brasileiro do século 19, considerado um dos maiores da língua portuguesa e da literatura mundial. Conte detalhes da biografia do autor e do contexto social do Brasil na segunda metade do século 19 (como era a sociedade da época? E o Rio de Janeiro? Escravatura, Império, classes sociais, religião etc.). Dê o nome do conto e incite a realização de conjecturas sobre o conteúdo dele. Pergunte: do que será que a história trata? Para que serve uma vara? Numa época na qual haviam escravos, será que uma vara teria outra função senão a de açoitá-los. Solicite que os alunos procurem no dicionário os significados da palavra vara e escrevam no caderno. Analise se os sentidos encontrados associam-se às inferências do grupo.
2ª ETAPA
Faça uma leitura compartilhada com paradas em momentos estratégicos. Pergunte o que aconteceu até aquele momento e se alguém gostaria de dizer algo. Em seguida, faça os comentários que julgar necessários. A leitura compartilhada e o diálogo permitem que você verifique como está sendo entendido o texto e possibilitam aos estudantes manifestar a percepção das peculiaridades de trechos específicos. Após os comentários e antes de reiniciar a leitura, pergunte o que esperam que aconteça. Isso permite não apenas fazer inferências como também perceber que essa construção se dá com base nos elementos já fornecidos pelo texto.
Sugestões de trechos a serem comentados durante a leitura compartilhada:
1 – Início do conto até “Este não o deu por ele e ia andando.” Caso os jovens não o façam, mencione o tom irônico do narrador ao comentar as relações da viúva e de João Carneiro. Pergunte o que entendem por ironia e conceitue o termo, evidenciando a duplicidade do discurso: uma camada explícita e outra implícita. Pergunte o que entendem pela palavra padrinho. Ouça os vários significados. Depois, peça que consultem o dicionário. Anote no quadro os vários sentidos encontrados e discuta qual sentido parece ser o mais adequado para caracterizar a relação entre João Carneiro e Damião.
2 – De “– Santo nome de Jesus! Que é isto? Bradou Sinhá Rita” até “ – Ande lá seu padreco, descanse que tudo há de arranjar.” Comente a ironia na fala de Damião a respeito do padrinho: “duvido que atenda a ninguém...”. Observe também o poder de Sinhá Rita sobre o padrinho.
3 – De “Sinhá Rita tinha quarenta anos na certidão de batismo e vinte e sete nos olhos.” até “Ande que a sopa está esfriando.” Esse trecho é crucial. Durante a discussão, assinale: a descrição de Sinhá Rita que aponta para a discrepância entre a idade de batismo e a dos olhos, analisando os possíveis significados da afirmação; a presença de Lucrécia e o desejo de Damião de apadrinhá-la caso não termine a costura por sua causa; e a relação de poder entre a Sinhá e o padrinho, o nome do padrinho “Carneiro” e as características do personagem.
Comente a ironia na comparação entre o barbeiro de Napoleão e o padrinho Carneiro – nesse trecho, como no seu nome, ocorre a ênfase na sua insignificância e passividade. Observe o trecho “Damião resolveu apadrinhá-la, se não acabasse a tarefa.” Indague qual sentido pode ser dado ao verbo “apadrinhar” nesse caso. Relacione-o ao significado do termo “padrinho” discutido no trecho anterior. Como tarefa de casa, pode-se propor a conversa com os pais sobre as relações de apadrinhamento na História do Brasil. A síntese da conversa deve ser anotada, já que será lida e discutida em classe.
4 - De “Apesar do gênio galhofeiro de Sinhá Rita” até “Sim tinha jurado apadrinhar a pequena, que, por causa dele, atrasara o trabalho.” É interessante parar um pouco antes do final e incitar a garotada a fazer inferências e argumentar a respeito da possível atitude de Damião.
3a ETAPA
Terminada a leitura, incite comentários orais sobre o conto. Todos devem dizer se gostaram ou não dele e justificar. A leitura silenciosa do conto em casa permitirá um novo contato com ele – enriquecido pelas discussões em classe. Peça também a produção de um pequeno texto argumentativo em que haja o posicionamento em relação à ação de Damião.
4a ETAPA
Assinale as peculiaridades do texto argumentativo e dos articuladores presentes nele. Resgate, no quadro-negro, os que aparecem nas produções da garotada e seus respectivos tipos: causa, conseqüência, adversidade, conclusão etc. Proponha a leitura de textos desse tipo, como editoriais de jornais sobre questões polêmicas, atentando para a presença de articuladores da argumentação. Selecione trechos de textos jornalísticos, suprima deles os articuladores e peça que sejam completados. Atividades como essas são mais instigantes se realizadas em dupla. O trabalho com textos jornalísticos mantém o teor de polêmica, pois envolve questões de interesse coletivo. Durante essa etapa, é possível considerar questões de pontuação e grafia: por exemplo, o significado do “pois” aliado à pontuação e a diferença entre “mais” e “mas”. Foque nos pontos problemáticos para a classe.
5a ETAPA
Concomitantemente à 4a etapa, coloque no quadro-negro os aspectos observados nas discussões durante a leitura do conto. Um deles é a literatura como forma de conhecimento do cotidiano: a relação pai e filho na escolha da profissão; a ligação entre Sinhá Rita e as negrinhas, crias da casa; o relacionamento insinuado entre a viúva e João Carneiro; o contato entre os vizinhos; o apadrinhamento e a relação amorosa como manifestações de poder.
Avaliação
Durante as atividades, verifique o desempenho dos estudantes no processo de escrita e reescrita e as intervenções deles durante a leitura do texto.
Professora de Teoria Literária e Literatura Portuguesa da Universidade de Mogi das Cruzes
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