Achei muito interessante o trabalho de um pesquisador paraibano que participou da mesa sobre Escola, convivência e violências. Seu nome é Fernando Cezar Bezerra de Andrade, e ele trabalha na Universidade Federal da Paraíba.
Sua contribuição para o tema se deu por meio de sua experiência de pesquisa sobre violência na escola. “Existe um grande abismo entre as políticas públicas e as práticas pedagógicas”, disse logo na entrada. E, mais que esse abismo, existe uma escolha muito delicada de fazer entre a não interferência, proclamada por Rosseau, e a disciplina que precisa ser formada, segundo o entendimento de Kant. Não que Fernando acredite que possam haver apenas extremos, mas ele afirma, sim, que é difícil encontrar o ponto ótimo nessa equação.
Em sua pesquisa de campo, Fernando presenciou essa distância na prática. “Tínhamos agendado na secretaria de Educação uma visita a uma das escolas. Quando chegamos, a escola estava praticamente vazia e eles disseram não ter sido avisados de que nós iríamos. Mais que a frustração de uma tarde de trabalho perdida, percebemos a distância entre os técnicos e a escola”, contou Fernando. E ele analisou: “Teve um jogo de empurra, a secretaria disse ter feito sua parte, os professores negaram os avisos. Ambas as posições – a dissimulação e a negação do problema – são estratégias para manter a escola exatamente como ela está”.
Ele continua: “Na escola, falta de motivação. Na secretaria, falta de controle e de acompanhamento. O resultado é a inércia. Os técnicos acabam não planejando a adequada implantação do projeto por não detectar as resistências nas escolas”. A saída? Formar equipes. Enquanto técnicos e professores não forem aliados vai haver espaço para a violência.
20/02/2008 - 20:12
Clima bom em João Pessoa
São muitos os eventos simultâneos aqui no Congresso Educação, Globalização e Cidadania, em João Pessoa. Estou injuriada porque gostaria de ser cinco para assistir a todas as palestras, acompanhar os grupos de trabalho e, depois, contar tudo a vocês. Mas eu não sou e vou mandando alguns textos, sobre as conferências mais importantes.
Outra ótima possibilidade desse tipo de evento são as pessoas que a gente encontra. Sem muita intenção fui parar numa roda de conversa com a professora Ivany Pino, da Unicamp e editora da revista Educação e Sociedade. Depois de assistir ao debate sobre escola e violência, conheci um antropólogo que trabalha com presos no Rio de Janeiro. Com os dois tive conversas interessantíssimas, sobre política educacional, sobre a prática de sala de aula e sobre globalização e discursos hegemônicos em geral.
PS: o clima por aqui é bom, já as temperaturas... Quente, minha gente, muito quente.
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