Aqui na capital, uma brisa é literalmente um sopro de alento para os acalorados moradores e visitantes. Para alguns participantes, a Conferência Internacional “Educação, globalização e cidadania” tem surtido efeito semelhante.
“As palestras e os grupos de trabalho têm atendido nossas expectativas”, disse uma pernambucana que prefiro não identificar (você vai entender no próximo parágrafo). A colega, também de Recife e também autora de um artigo apresentado na Conferência emenda: “Nós estamos nos deparando com todas essas questões que estamos discutindo ali (referindo-se a violência, justiça social, escola cidadã). E estávamos mesmo precisando de alguém que viesse e sugerisse: tente por aqui, vá por ali”. Entusiasmadas, elas citam autores e me indicam fontes, comentam de colegas de outros estados, que têm visões diferentes. Sorriem enquanto falam.
Minutos antes eu havia abordado um grupo de mulheres, todas muito alegres e brincalhonas e descobri que eram professoras da rede municipal de João Pessoa. Eu me apresentei como repórter de NOVA ESCOLA – como é de costume. Notei um certo receio nos olhares. Disparei: “calma, não estou entrevistando ninguém, apenas colhendo informações para formar a opinião geral dos participantes”. Percebi que, sem terem de se identificar, elas ficariam mais à vontade. Sorriram – de um jeito meio desbotado, como diria Ruth Rocha – e me disseram, em coro: “muuuito interessante”. Não resisti e comecei a abrir espaço para a crítica, perguntando se todas aquelas idéias encontrariam eco na sala de aula. E já acrescentei: “sei como o dia-a-dia é duro, minha mãe foi professora da rede pública por trinta anos”.
Quebrado o gelo (gelo, nesse calor?!), uma delas começou. “Quando somos um grupo de 100 professores e apenas dois estão aqui fica difícil colocar em prática. Para começar, fica difícil transmitir o que a gente viu aqui”. Logo entendi o primeiro olhar mais desconfiado.
A poucos metros dali, puxei papo no bebedouro de água. Dessa vez, nem me identifiquei. “Que está achando do Congresso?”, perguntei. “Bom, mas fiquei um pouco decepcionada com a organização. Queria que tivesse tradução na abertura (quando Michel Wiervoka gentilmente palestrou em espanhol ao perceber que não haveria tradução)”, respondeu a moça. Num dos grupos de trabalho de que participei, um professor de sociologia criticou duramente a dinâmica das apresentações. Ele disse algo como: “Ouvimos que o conhecimento é construído e não deve ser dado, mas estamos fazendo exatamente isso nas mesas e painéis”.
O resumo da ópera: muitos estão aproveitando, muitos estão apenas cumprindo tabela, mas todos, com certeza, estarão um pouquinho diferentes quando terminarem os eventos hoje às 20h. É torcer para que a inspiração seja aplicada na prática.
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