Mesmo antes de carimbar o passaporte para representar o Brasil em uma reunião das Nações Unidas em Nova Iorque, o estudante do 2º ano do Ensino Médio da rede estadual paulista, Caio Mancini, já pensava em ser diplomata. “Sempre quis fazer Relações Internacionais e prestar o concurso para o Instituto Rio Branco, que dá acesso à carreira diplomática. Quero aproveitar essa viagem aos Estados Unidos para conhecer um pouco do meu futuro trabalho”, diz, confiante, o aluno da EE Professora Júlia Macedo Pantoja, na Vila Prudente, em São Paulo.
Caio concorreu com cerca de 450 alunos de Ensino Médio de escolas públicas paulistas por uma das cinco vagas oferecidas pelo programa Global Classrooms, mantido pela Associação das Nações Unidas do Brasil (Anubra). Durante oito meses, os estudantes enfrentaram debates, simulações, provas, redações e entrevistas, na maioria das vezes em inglês, até que fossem eleitos os cinco representantes que viajarão para Nova Iorque.
“Os alunos se apaixonaram pelos temas e pelas simulações. A capacidade de oratória e a fluência em inglês das turmas melhorou muito. Não era mais um dever de casa ou uma situação artificial de comunicação em sala de aula. Eles tiveram que ir para frente da platéia e defender pontos de vista numa situação real”, analisa a professora de Caio, Valéria Lopes, que há três anos dá aulas de Língua Inglesa na escola.
Além da capacitação em temas de política internacional oferecidos pela Anubra, os estudantes que participaram do Global Classrooms conheceram fundamentos de Direito Internacional e tiveram que se dividir em comitês e defender os interesses de diferentes países. “Acabei no Conselho de Segurança da ONU, representando a Rússia. Tive que me preparar bastante. Fazíamos reuniões a cada dois dias e nos sábados os professores nos ajudavam revisando e corrigindo a pronúncia e os textos. Tudo em inglês”, lembra Caio, que embarca para Nova Iorque em maio para debater na ONU temas relacionados à saúde da mulher.
Oportunidade
Para a diretora da EE Júlia Macedo Pantoja, Mônica Cavalcante, o programa é uma oportunidade única para os alunos de escolas públicas. “É o tipo de projeto que valoriza a auto-estima do estudante de instituições públicas. Faz com que ele se sinta capaz e preparado para os desafios da universidade e do mundo do trabalho”, acredita a gestora. Ela enfatiza que nada seria possível sem ajuda dos professores. “Mesmo sem nenhum incentivo financeiro, muitos se dispuseram a vir ajudar os alunos nos finais de semana e acompanharam de perto a preparação. Já é o segundo ano que classificamos um aluno e queremos fazer disso uma tradição”, finaliza.
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