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[img1]Encerramento: apresentação do Coral das Escolas Municipais de São Bernardo
Confira a cobertura do primeiro dia do Congresso.
As experiências de superação de comunidades carentes que conseguiram melhorias de ensino a partir da integração entre escola e comunidade foram a tônica do último dia do 1ª Congresso Nacional Cidade Escola em São Bernardo do Campo, em São Paulo.
Os projetos adotados nas cidades de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, e no bairro Parque Peruche, na zona norte de São Paulo, emocionaram a platéia composta por cerca de 5 mil professores. Em comum, os dois casos têm o mérito de ter resolvido uma combinação de fatores que costuma inviabilizar o processo de ensino: a fusão de uma comunidade carente, com poucas oportunidades e vitimada pela violência e a marginalização com a um poder público omisso.
Experiência carioca - Em Nova Iguaçu, cidade na Baixada Fluminense no Rio de Janeiro, que conta com cerca de 950 mil habitantes, a revolução começou há dois anos, nos quintais das casas dos moradores. Começamos um movimento de voluntariado para transformar os espaços da cidade em ambientes de ensino. Cada um ofereceu sua especialidade e, depois da escola, os estudantes começaram a ter aulas dos mais variados temas nos quintais das casas dos moradores , conta uma das coordenadoras do Projeto Nova Iguaçu, Beatriz Goulart.
Em dois anos, o projeto ampliou ações e hoje atinge 31 escolas municipais em 20 bairros da cidade. Com mais de 70 parceiros, ele oferece aulas em período integral dentro e fora das escolas - para os alunos da rede municipal de ensino, além de oficinas, cinco refeições diárias e um sistema de gestão integrada que envolve todas as secretarias da prefeitura local e integrantes da comunidade. A escola não pode mais abrir mão do aluno. Nós já sabemos o que nos separa, o exercício constante é descobrir o que nos une , finalizou Beatriz em sua apresentação.
Em São Paulo - No bairro do Parque Peruche, na zona norte da capital paulista, o desafio do professor Waldir Romero parecia quase impossível quando ele assumiu a diretoria da Escola Municipal de Ensino Fundamental Comandante Garcia D Avila. A escola era conhecida pelo apelido de maloquinha. Daí vocês já podem imaginar a situação de violência, descuido e depredação que ela se encontrava , relata Waldir.
Composta predominantemente por negros que migraram de bairros colonizados por estrangeiros, como o Bexiga, a população do Parque Peruche é marcada pelo descompasso entre os baixos índices de escolaridade e os alarmantes dados de deliqüência juvenil. Para ser aceito neste ambiente e começar a mudar a realidade que enxergava, o diretor Waldir resolveu fazer o que há muito tempo não se praticava na EMEF Garcia D Avila: ouvir os alunos.
A partir das necessidades apresentadas pelos estudantes, Waldir começou a organizar eventos para integrar a escola com a comunidade e envolver todos em um projeto de ensino. O primeiro pedido deles foi que organizássemos um baile na escola. Isso mesmo, um baile! Então fomos lá e fizemos, mesmo com um monte de gente falando que aquilo não ia dar em nada. O primeiro baile foi em 1996 e a tradição continua até hoje , conta o diretor, orgulhoso.
A partir desse primeiro passo, Waldir conseguiu desarmar a agressividade e a revolta dos alunos e começou a envolver toda a comunidade do bairro em ações de formação continuada para professores, aulas sobre a história e os personagens da comunidade e diversas parcerias com instituições dentro e fora do bairro. Trouxemos o samba para a sala de aula", conta o diretor. "Temos três escolas de samba no bairro e, todo ano, a escola se envolve com a fabricação de fantasias e as letras dos sambas-enredo são discutidas dentro do programa das aulas de português , explica o diretor que já está há 12 anos a frente da Garcia D Ávila.
A escola também passou a organizar a festa de aniversário do bairro, com direito a bolo comemorativo e desfile de carnaval. Também conseguiram patrocínio para editar um livro sobre a história da comunidade. Começou a fazer sentido para as crianças morar no Peruche e estudar naquela escola. Deixou de ser uma vergonha para ser um orgulho. É assim que estamos transformando a maloquinha numa escola pública popular de qualidade , orgulha-se Waldir.
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