Analfabetismo se concentra entre pobres, negros e nordestinos, aponta Unesco
O analfabeto brasileiro continua sendo em sua maioria nordestino, negro, de baixa renda e com idade entre 40 e 45 anos. A análise é do especialista em Educação de jovens e adultos da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura) no Brasil, Timothy Ireland. Nesta segunda-feira, a organização comemora o Dia Internacional da Alfabetização. Dados de 2006 da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domícilios) apontam que 10,38% da população se declara analfabeta absoluta, ou seja, não sabe ler ou escrever um bilhete simples. O percentual representa 14,3 milhões de brasileiros. O índice mais do que dobra na área rural (25%). Entre os negros e pardos, o analfabetismo é duas vezes maior do que entre os brancos. Em 2000, na Conferência Mundial de Educação, o Brasil assinou o compromisso Educação para Todos se comprometendo a reduzir as taxas de analfabetismo para 6,7% até 2015. Segundo a Unesco, se os índices continuarem caindo no ritmo atual, o Brasil não cumprirá o acordo.
Projetos da Câmara para inclusão de disciplina deixariam alunos 16 horas na escola
Da Câmara dos Deputados vieram os projetos que obrigaram a inclusão das disciplinas de Filosofia, Sociologia e Música na educação básica. Se fossem aprovadas todas as 50 propostas de novas matérias que tramitam na casa, os alunos do Ensino Fundamental e Médio passariam 16,3 horas na escola por dia. Pelo menos oito projetos propõem a introdução da Educação Ambiental nas escolas. Há, ainda, proposta de obrigatoriedade de disciplinas como Cooperativismo, Planejamento Financeiro Pessoal e Familiar, Empreendedorismo, Direitos da Mulher, Segurança Pública e "Qualidade Total".
Cursos atendem projetos solicitados nos planos de ações articuladas
Centenas de professores das redes estaduais de educação de 11 estados e de cerca de dois mil municípios de todos os estados da Federação iniciam na segunda quinzena deste mês, e em outubro, cursos de formação continuada. A formação e a certificação serão feitas por universidades públicas e comunitárias que integram a Rede Nacional de Formação Continuada de Professores da Educação Básica, criada pelo Ministério da Educação em 2004. Essa etapa atende parte dos projetos solicitados por estados e municípios nos planos de ações articuladas (PAR), ação que faz parte do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), lançado em abril de 2007. No final de agosto e no início deste mês, o MEC fez duas chamadas para início de cursos, mas para atender todos os pedidos de formação enviados nos planos, o ministério deverá fazer cerca de 20 chamadas até julho de 2009.
Mais de 30% dos brasileiros são analfabetos funcionais, mostra Ibope
O Brasil tem 32% de analfabetos funcionais. É o que afirma a análise divulgada esta semana pelo Indicador de Alfabetismo Funcional do Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística). A pesquisa foi aplicada entre os anos de 2000 e 2007, em brasileiros de 15 a 64 anos e detectou que quase metade dessa população não consegue usar a leitura no seu dia-a-dia. De acordo com Ana Lúcia Lima, diretora executiva do Instituto Paulo Montenegro do Ibope, a pesquisa surgiu como uma necessidade de se traçar o perfil do analfabeto funcional no país. Do total de analfabetos funcionais (32%), pelo menos 7% são completamente analfabetos. O restante (25%) lê pouco, consegue fazer algumas contas, mas não desenvolve tais habilidades durante as atividades cotidianas.
Universidades federais agora criam cotas geográficas
Depois das cotas para negros, índios e alunos de escolas públicas, o acesso a universidades federais ganhou um novo critério: o lugar onde o candidato freqüentou o Ensino Médio. Os novos campus da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) incluíram em sua fórmula de ingresso o "bônus regional", pontuação extra no vestibular para quem estudou no interior ou na periferia. Pelo critério, quem cursou o Ensino Médio em cidades-satélites de Brasília, em municípios de Goiás (vizinhos ao Distrito Federal) e no interior de Pernambuco recebe mais pontos no vestibular: 20% na UnB e 10% na UFPE.
Corrupção mundial custa 26% mais que aplicações na Educação fundamental
As aplicações mundiais no Ensino Fundamental representam 74% do custo anual da corrupção, estimada em mais de US$ 1 trilhão pelo Banco Mundial (Bird). Isto é, o gasto com o ensino entre a 1ª e 9ª séries, em torno de US$ 741 bilhões, é R$ 259 bilhões menor que a cotação das práticas ilegais. A Educação fundamental equivale a 1,3% do PIB mundial em PPC (Paridade do Poder de Compra), um modo de calcular o Produto Interno Bruto que tenta eliminar a diferença do custo de vida entre os países. Já as perdas com a corrupção representam cerca de 2% do PIB global. O relatório mais recente do Bird, com dados de 2007, mostra que diversos países em desenvolvimento conseguiram ganhos importantes no controle da corrupção. Por outro lado, o Brasil não apresentou mudanças significativas nos indicadores.
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